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Às Cavalitas do Vento

Sab | 26.03.16

passatempo "Bonita Todos os Dias", de Vic Ceridono


"Beauty, to me, is about being comfortable in your own skin. That, or a kick-ass red lipstick". Estas palavras pertencem a um dos meus ícones da moda, do lifestyle e do cinema, a apaixonante Gwyneth Paltrow. Um batom vermelho faz toda a diferença no rosto de uma mulher e pode até ser o elemento-chave num outfit. Só precisamos de escolher o tom, a textura e a intensidade ideais para realçar os nossos lábios.

Sabiam que esta e outras dicas de beleza estão apenas à distância de um virar de página? Sim! Vic Ceridono, editora de beleza da Vogue Brasil e autora do conceituado blog Dia de Beauté, estreou-se na escrita e preparou um manual prático de maquilhagem especialmente para nós. Em Bonita Todos os Dias, os truques são simples, práticos e muito certeiros. Tenho a certeza que vão querer ter um exemplar guardado no vosso toucador, para uma consulta rápida. Espero que se percam nas mais de 130 fotografias e ilustrações que aqui figuram e que se demorem em todos os conselhos. 

E porque março é, de certa forma, o "nosso" mês, eu e o grupo editorial Penguin Random House decidimos presentear-vos com este miminho especial. Querem inspirar-se no testemunho de uma das mais influentes personalidades do mundo da beleza? Para terem acesso a todos os tutoriais, precisam apenas de participar neste passatempo. As regras são as seguintes:

> Seguir as páginas de Instagram @ascavalitasdovento e @vicceridono;
> Fazer "Gosto" nas páginas de Facebook Às cavalitas do vento, Dia de Beauté e Editora Objetiva;
> Enviar um email para "ascavalitasdovento@gmail.com" com o vosso nome e link de partilha (pública) do passatempo nas redes sociais.

Podem participar até às 23h59 do dia 4 de abril. O sorteio será efetuado através do random.org e o nome da vencedora será anunciado neste mesmo post. Boa sorte!

Vencedora
Participação #24 - Helena Braceira
Qui | 24.03.16

Be You, Be Beautiful em comunhão com a Natureza


As imagens são de sonho! Esta é a nova coleção de primavera/verão da marca nacional Be You, Be Beautiful. A sintonia com a Mãe-natureza é o mote por detrás da criação destas peças leves e frescas ou não fosse ela chamar-se Nature. Os tecidos são fluídos, os cortes primam pela assimetria, e a paleta de cores demora-se nos pastéis, nos vermelhos vivos, nos negros e nos azuis meia-noite, mas também nos tons terra.


Patrícia Gouveia, criadora deste projeto, decidiu apostar em vestidos, macacões e, conjuntos de top e calção, mantendo a fidelidade às sedas, linhos, algodões e marocaines. Os materiais foram adquiridos em Portugal e o guarda-roupa confecionado manualmente em edições limitadas.


Confesso-vos que estou apaixonada pelo playsuit Kyle (Olive) e pelo vestido Blossom (Clay). Porque será? Fazem lembrar a índia Pocahontas e o seu espírito livre. E as modelos Mafalda Patrício e Concha Lima Mayer ficam absolutamente maravilhosas com eles. Quero tanto tê-los no meu armário e andar a passeá-los ao sabor do vento. Tenho a certeza que seríamos muito felizes juntos!


Façam uma visita ao site, ao Facebook e ao Instagram da marca para ficaram a conhecer a nova coleção na íntegra; ou passem pelo showroom no Príncipe Real, de segunda a sábado, entre as 11h e as 19h.
Qua | 23.03.16

sê bem-vinda, primavera!

Sara Tavares - Ponto de Luz
Já chegou às bancas nacionais a nova edição da revista EPICUR. Quando a Filipa Melo, mentora do projeto, entrou em contacto comigo para assinar a rubrica Tendências do número de primavera, o meu coração abandonou a sua constância e começou a mover-se ao ritmo da batida eletrizante de I'm Walking On Sunshine. Juro-vos! Só não caí da cadeira giratória, porque já tinha tomado a minha dose de cafeína. Debati-me com espasmos constantes de felicidade, mas também comecei a ser invadida por uma ligeira sensação de pânico. "Mas porquê eu?". Não que tencione duvidar do meu profissionalismo, da minha dedicação, do meu esforço ou da minha persistência. Ainda tenho os meus receios e as minhas incertezas, mas deixei de dar ouvidos à voz malévola que, muitas vezes, deixamos elevar-se. Aprendi a escutar com atenção o som da consciência, aquela que sempre fez questão de torcer por mim, pelas minhas conquistas, pela minha vontade de escalar montanhas e pelo meu desejo de mudar o mundo. No entanto, não consegui deixar de pensar na quantidade de bloggers de lifestyle com um portfólio fantástico, atualizado religiosamente... Devaneios à parte, aceitei o desafio como uma prova de fogo, já que, entre tantas candidatas, eu tinha sido a escolhida.

Quem me conhece sabe que, em mim, a felicidade espraia-se quando ajudo a criar arte. A Sara Tavares fez com que eu desejasse ser um ponto de luz na vida de alguém. Inspirar uma mulher com as minhas palavras, com as minhas fotografias ou, até mesmo, com as minhas sugestões literárias deixa-me radiante. Quero estar aqui, no planeta Terra, com um propósito: deixar a minha marca, seja ela palpável ou unicamente extrassensorial, fazer a diferença e chegar ao fim da meta com um sentimento de realização inexplicável. Olhar para trás e poder dizer: "bolas, caramba, fui uma sortuda do catano!".

Por vezes, os meus amigos questionam-me sobre o meu tempo. "Como é que tens disponibilidade para fazer tantas coisas?", dizem eles sem quaisquer julgamentos. Sim, faço muitos "sacrifícios", se é que posso atribuir à minha jornada o significado preciso desse termo. Nunca abdico de estar com a minha família e com os meus irmãos do vento, os parentes que escolhi ter na minha vida. Cozinho refeições saudáveis, arrumo a casa, leio, medito, faço exercício físico, participo em conferências, frequento workshops, vou a reuniões dos meus outros empregos e escolho outfits diários (não que a moda dite as regras, mas porque, lá está, a seleção de padrãos, de cores e de texturas é, também, por si só, uma fórmula mágica para a arte). Não sou omnipresente e, por enquanto, ainda integro o leque de pessoas que tem um trabalho de oito horas diárias à secretária.

Como faço então? Procuro otimizar a minha semana. Aproveito todos os momentos livres para passar os olhos pelos links que armazenei na app Pocket, para me perder na história de um novo livro (OLX e Feira do Livro do Oriente, obrigada por todos os negócios que temos feito juntos!), para ver um filme francês, para escrever para o blog e para outros meios de comunicação que coordeno e para estar rodeada da boa energia da minha "tribo". O segredo para o sucesso? Mais uma vez, não tenho uma resposta concreta. Só vos posso dizer o seguinte: "hard work beats talent when talent doesn’t work hard".

Posto isto, quero ver-vos a correr até à livraria mais próxima. Não só porque na página 76 figura este espírito do vento gingando com umas mom jeans da Pepsi, como também podem contar com uma panóplia de temas apelativos: doces conventuais, vinhos, livros de vida saudável (há uma entrevista exclusiva com Yotam Ottolenghi, autor de Celebrar com Vegetais) e encontros improváveis (desta feita entre Clara Ferreira Alves e António Victorino de Almeida). Já o suplemento que acompanha esta edição primaveril convida-nos a viajar até à Península de Setúbal. Interessante, não?
Qui | 17.03.16

Off The Record por Miguel Oliveira


[© Todas as fotografias por Miguel Oliveira]

"What’s the greatest lesson a women should learn? That since day one, she’s already had everything she needs inside herself. It’s the world that convinced her she did not". Esta citação de Rupi Kaur apareceu no meu feed de Instagram há meia dúzia de dias e a verdade é que desde então ela se entrelaçou aos meus pensamentos com uma força vulcânica. Sim, a magia nasce connosco, percorre as vielas do nosso corpo, ramifica-se nas artérias do coração e nunca, nem por um só segundo, nos abandona; mora sempre dentro de nós, aconchegada no seu ninho. Basta-nos libertá-la... Como? Não há fórmulas ou segredos. Mas a nossa transformação interior encarrega-se de ser o nosso farol de esperança.


Os meus 27 anos trouxeram consigo uma nova consciência de mim mesma; tudo o que precisei foi de ajustar as velas do meu navio, para navegar sem âncoras e ao sabor do vento. Aceitei a mulher que habita o meu corpo, aprendi a valorizar as minhas conquistas, a renegar as energias negativas e a sentir-me grata pelo meu espírito livre, descobri as minhas armas de empowerment e perdoei todas as vezes em que fui, de alguma forma, indelicada com o meu coração. Não consigo precisar no tempo o momento em que tudo mudou; simplesmente encarei de frente a heroína da minha histórica, aquela que esteve presente durante toda a minha existência, mas à qual eu parecia negar o protagonismo: eu. Sobrevivi a um dos mais duros golpes na minha auto-estima, mas continuo aqui, a respirar. Estou viva, o mundo não acabou e eu renasci. Fiz as pazes com o passado, libertei os demónios e, em grande medida graças ao mindfulness, aprendi a saborear o momento presente. Comecei a praticar pilates, yoga, stretch e trx, criei uma atmosfera intimista nas divisões mais visitadas da minha casa, passei a meditar antes de adormecer e ao nascer do sol, a pulverizar a almofada com uma essência de camomila e alfazema, e a acordar com um sorriso no rosto. Sinto-me grata pela vida que escolhi viver e por cada novo amanhecer. Gosto demasiado de conhecer pessoas inspiradoras, de ser surpreendida na rua por um desconhecido e de ajudar a concretizar sonhos.


O Miguel Oliveira, portuense de gema e autor das fotografias que ilustram esta publicação, entrou de mansinho no meu mundo. Conheci-o no final do ano passado, na apresentação do livro O Princípio, do Dani Rodrigues, na Fnac do Chiado. Terminámos a noite a jantar no Bairro Alto e, desde então, já trabalhámos juntos duas vezes. Entrevistei-o para uma revista e ele fotografou-me para o projeto dele, o inspirador Off The Record. Retratos íntimos a preto e branco compõem o seu portfólio; a rebeldia e ousadia, mas também a quietude e a paz da alma feminina esvoaçam nas suas imagens. A ele devo um agradecimento gigante por me ter desarmado; deixou-me ouvir na íntegra o álbum Wallflower, de Diana Krall, enquanto pousava para a sua objetiva. Um bem-estar instalou-se dentro de mim e eu deixei-me envolver no seu hipnotizante poder. O templo fluía e os disparos da câmara aconteciam com uma espontaneidade assombrosa. Deixei as sombras enamorarem-se pela luz natural, soltei os meus movimentos e senti-me sedutora sem malícia. O resultado final deixou-me emocionada e de coração cheio.


A nossa sessão teve lugar no Nice Way Hostel, em Sintra, espaço que nos acolheu da melhor forma possível. Foi na imensidão da vila-feiticeira que nos perdemos. O Miguel procura a naturalidade do nosso corpo e a perfeita imperfeição do nosso interior, que tantas vezes se esconde por baixo de um manto invisível. Não há espaço para vazios e podemos dar a conhecer todos os espelhos do nosso quarto escuro. Há fulgor e há fascínio quando mergulhamos nos seus registos fotográficos. Tímidas, delicadas, feéricas, esplendorosas e sublimes, assim são as mulheres que este criativo de 24 anos eterniza. E a sua energia inesgotável contagia e cativa as suas modelos. É um prazer trabalhar com ele!

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Fiquem a conhecer o trabalho do Miguel Oliveira e o projeto Off The Record Stories em:
Ter | 08.03.16

para as mulheres da minha vida


[um obrigada ao espaço do meu coração, o Café com Calma.]

Atenção, leitores do sexo masculino! Não venho munida de discursos feministas. Não tenciono apregoar que a discriminação social, política, económica e profissional não esmoreceu e parece até querer disseminar-se a um ritmo assustador, apesar da nossa luta contra aqueles que teimam em andar para trás. É assim tão difícil dizer adeus a uma visão distorcida da igualdade de género? Nada temam, irmãs do vento. A esperança é um farol de luz e ainda há vozes que rasgam o silêncio. Emma Watson (no Reino Unido), Malala (no Paquistão), Michelle Obama (nos EUA), Carol Rossetti (no Brasil) e as nossas Capazes (que, recentemente, arrecadaram o Prémio Blogger E!) são a prova viva disso e relembram-nos os direitos que nos assistem enquanto cidadãs do mundo. Um brinde a todas nós! 

Assinala-se, hoje, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher e em jeito de celebração desta data tão especial (que, claro está, deve ser comemorada diariamente), eu e a editora Saída de Emergência temos um convite para vós: por volta das 18h30 façam uma visita à Biblioteca de Belém e assistam à sessão de apresentação do maravilhoso livro Mulheres, da autoria da ilustradora Carol Rossetti, que estará por lá, para vos receber de braços abertos. Sim, poderão conhecê-la e agradecer-lhe pessoalmente este tesouro literário, que aninha em si mesmo uma das mais belas mensagens de respeito e dignidade humana. Catarina Furtado irá conduzir esta tertúlia, que tem como premissa refletir sobre os preconceitos e os estereótipos com o quais o nosso género se depara. Dia após dia. Vá lá, não desistam. Nunca! Sim? É imperativo!


"Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de partilhar as suas escolhas por medo de serem julgadas. E existem mulheres que discordam de tudo o que eu disse até aqui. Cada Mulher tem a sua própria história, e acredito que todas merecem ser ouvidas e representadas. A minha abordagem será abrangente, convidando todos os que partilhem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano", sublinha a autora.

Com apenas quatro anos de idade, Carol Rossetti começou a caminhar de mãos dadas com a ilustração. As folhas de papel transformaram-se na sua tela em branco e a caixa de lápis de cor a sua varinha de condão. O Mundo é a sua casa, mas é em Belo Horizonte que crescem vivazes as suas raízes. Colabora com o estúdio Café com Chocolate e já viu os seus trabalhos divulgados pela CNN, Cosmopolitan e Huffington Post. As histórias que acompanham os seus desenhos já foram traduzidas em mais de 15 línguas e destacadas pela comunidade Facebook Stories, por ser considerada um modelo a seguir.   

"Um homem não traz felicidade a uma mulher só porque sim": memorizei as palavras ditas por Maria Rueff no filme de "O Amor é Lindo... Porque Sim!" e elas não podiam fazer mais sentido para mim. É uma frase feita? Talvez. Mas é dela que precisamos quando o mundo nos parece demasiado negro. Aprendam a amar-se a vocês mesmas, a serem as capitãs do vosso navio, porque, esse sim, é o amor mais verdadeiro de todos É pela sua infinitude que temos de mover montanhas e não pela pessoa que não parece ser merecedora do nosso carinho. Vocês são especiais, únicas e eternas. Um dia feliz!

[© Sail and Swan]

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MULHERES
de Carol Rossetti
Edições Chá das Cinco (Chancela Saída de Emergência)
À venda em todas as livrarias
Sab | 05.03.16

viagens saudáveis pelo mundo


Se tal como eu, foodie incorrigível, são apaixonados por viagens e comida saudável, então este livro é um must have na prateleira da vossa estante da cozinha. Digam lá se não fica tão bem ao lado da bíblia da culinária e clássico da literatura gastronómica, O Livro de Pantagruel? Olhem uma vez mais e constatem como faz pandã com as lombadas da vossa coleção de volumes de Nigella Lawson, Gordon Ramsay, Sophie Dahl, Lorraine Pascal ou Jamie Oliver. Vá lá, apressem-se a adquirir um exemplar desta volta ao mundo em 272 páginas, de Daniela Ricardo, publicado pelas Edições Chá das Cinco (uma chancela da Saída de Emergência). Provavelmente, estarão a rever o último episódio do Masterchef Austrália, na SIC Mulher, ou a salivarem com as inovações da doce Filipa Gomes, no 24 Kitchen (eu faço-o com todo o prazer do mundo), mas, pelo menos hoje, saiam do sofá e corram até à livraria mais próxima.

Especializada em cozinha natural, a autora de Viagens da Comida Saudável trabalha há 18 anos no IPO do Porto como enfermeira. Cedo percebeu que uma alimentação consciente, baseada na filosofia macrobiótica, era sinónimo de uma vida feliz e equilibrada. A paixão pelos ingredientes exóticos de outras culturas fê-la imbuir-se do espírito de Gonçalo Cadilhe e partir à descoberta de verdadeiros manjares dos deuses. Assim sendo, traçou um plano para a sua odisseia e decidiu explorar os mercados de países como a Tailândia, Perú, Índia, Nepal, Brasil, Marrocos, Vietname, Camboja e, claro, Portugal. À sua lista juntou então nove destinos e na bagagem trouxe consigo novas formas de confecionar refeições biológicas de comer e chorar por mais. Mas não fiquem alarmados a pensar que grande parte dos produtos utilizados nas receitas não existem por cá. Houve essa preocupação por parte desta guia turística e fada dos tachos, por isso fiquem a saber que a todos os produtos estão acessíveis ao público. 

Insisto nesta sugestão! Não deixem este livro a apanhar pó na vossa biblioteca. Tanto eu como a editora que o viu nascer, desejamos que ele seja manuseado até à exaustão, até porque, certamente, não irão ficar indiferentes ao aspeto das imagens que preenchem as suas páginas. Demorem-se nos apontamentos, nas fotografias pessoais, nas experiências enriquecedoras e nas dicas de Daniela Ricardo. Queremos então que adotem um estilo de vida nutritivo, relaxante e terapêutico, que revisitem e recontem as suas histórias mais inspiradoras. Coloquem o vosso bem-estar físico e a sustentabilidade do Planeta Terra em primeiro lugar.

Há uma leque de receitas ancestrais à vossa espera, como, por exemplo, cuscuz marroquino, moqueca capixaba, pão indiano, batata-doce com curcuma, salada agridoce de tofu, rolls vietnamitas, thai curry vegetais cozidos à moda das Furnas. Experimentem estas iguarias e deliciem-se!


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VIAGENS DA COMIDA SAUDÁVEL
de Daniela Ricardo
Edições Chá das Cinco (chancela Saída de Emergência)
À vendas nas livrarias desde 19 de fevereiro
Qua | 02.03.16

O Amor é Lindo... Porque Sim!, de Vicente Alves do Ó


A convite da Act4all e da NOS Audiovisuais fui à antestreia do mais recente filme do realizador e argumentista Vicente Alves do Ó, O Amor é Lindo... Porque Sim!. O mítico Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade, recebeu-nos com um cocktail patrocinado pela Licor Beirão e pela Delta, e acolheu-nos para o tão aguardado visionamento desta longa-metragem.

Saí da Sala Manoel de Oliveira já sem conseguir respirar e as primeiras palavras que ressoaram no hall foram entoadas por Carminho: "quero esquecer-te, acredita, mas cada vez há mais vento". À medida que a trama se ia desenrolando diante dos meus olhos, sentia-me cada vez mais despida; dei por mim a sentir que o Vicente tinha conseguido ouvir as minhas mais humildes preces, ler os meus pensamentos mais profundos, retirado as memórias guardadas nas gavetas do coração. O vento esvoaçava e os apontamentos que evidenciavam a sua presença constante deixaram-me completamente siderada: o poema declamado por Márcia Cardoso, as andorinhas coloridas que pousaram nas paredes da casa de Amélia e (detalhe arrebatador) o chapéu gypsy usado pela personagem principal numa das últimas cenas do filme. Amélia é um reflexo da mulher que vive em mim há um ano e, talvez, dentro de cada uma de nós. A páginas tantas, é quase impossível distanciar a alma da magnetizante Inês Patrício, aluna finalista do curso da Escola Profissional de Atores e protagonista desta comédia romântica à portuguesa.


Mas quero que percebam a narrativa que escolheu Lisboa como cenário. No dia em que celebra 24 anos, Amélia é deixada pelo namorado de longa data, Mauro (João Maria). O seu mundo desmorona-se, a luz ao fundo do túnel parece distanciar-se e a sombra do passado toma conta do seu destino. Mas o tempo encarrega-se sempre de nos ensinar que nunca estamos sozinhas (mas, vá, um passo de cada vez). Para além de ficar sem o emprego no quiosque de cachorros quentes em Alvalade, Melinha perde então o rasto ao companheiro de oito anos. As mensagens e os telefonemas deixam de ser retribuídos, a ausência de respostas no momento em que mais precisa de alento consome-a, a mágoa e a revolta apoderam-se de si. Para agravar a sua situação, a mãe Gigi (a brilhante e inigualável Maria Rueff) ganha a vida como vidente e a irmã Cátia (Carolina Serrão) é uma atriz no desemprego. Amélia começa então a frequentar o consultório de Dalila (Ana Brito e Cunha), uma psicóloga verdadeiramente alucinada e mal resolvida, que em nada ajuda na sua recuperação.


Parece um quadro demasiado negro, não é verdade? Podemos "mexer no destino e mudar a sorte", como no fado de Ana Moura? Claro que sim! Um acaso conduz Amélia a uma tasca moderna (a acolhedora Cantina da Lx Factory, em Alcântara), gerida por Madalena (Marta Mirada, vocalista dos OqueStrada), e a linha da vida trama-lhe uma partida. A patroa ouve-a cantar, uma voz que preenche todos os espaços vazios deste restaurante castiço, e este seu talento acaba por trazer-lhe dúvidas, certezas, amores e paixões esvoaçantes. A sua beleza chama à atenção de dois homens, que se apaixonam perdidamente por ela e, enfeitiçados, não descansam enquanto não levam a sua avante. Não podiam ser mais diferentes nas suas vivências, dividindo assim o coração da nossa menina-mulher: Ruben (Diogo Leite), jogador de futebol que faz sucesso dentro das quatro linhas, e Bubu (Jaime Baeta de Almeida), um jovem forcado e de boas famílias.


Em momento algum pensamos que estamos diante de um triângulo amoroso, uma vez que Amélia tem receio de voltar a entregar-se a alguém. A verdade é que nós não mandamos no nosso coração e enquanto não encerramos o capítulo anterior, não conseguimos avançar para deixar uma nova história começar. Entretanto, Amélia descobre que o ex-namorado prepara já o casamento com outra mulher e fica de rastos. Aprendemos, a seu tempo, que a luz que nos guia nunca se apaga, mesmo que, na maior parte das vezes, nos pareça esmorecer. A noite de Lisboa esconde um brilho incandescente e é nas paredes da cidade que um homem misterioso (Nuno Pardal) escreve cartas de amor, intensas na sua simplicidade. Chegaremos a saber quem é esta sombra notívaga, que parece bombear todas as artérias do coração e fazer com que Amélia volte a acreditar no amor? Deixo-vos com esta questão a pairar no ar. Por vezes, aquilo que procuramos está mesmo diante dos nossos olhos. Ou, ao virar da esquina, eternizado num graffiti.

À semelhança da obra-prima de Ruben Alves, A Gaiola Dourada, esta longa-metragem de Vicente Alves do Ó está pincelada de momentos de humor. Nunca demasiado fáceis, sempre tão nossos, portugueses de raça. Perdemos o norte com Amélia, mas também é com ela que aprendemos a ser espíritos livres. O argumento podia roçar a banalidade, mas está longe de assim ser. Pelo contrário, o guião torna-se demasiado grandioso quando constatamos que esta é a vida que passa por nós. Todos os dias. Despertei a vossa curiosidade? Pois então quero ver todos a correrem para a sala de cinema no dia 10!


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O AMOR É LINDO… PORQUE SIM!
Estreia dia 10 de março
Realização e argumento de Vicente Alves do Ó
Com Inês Patrício, João Maria, Carolina Serrão, Maria Rueff, Jaime Baeta de Almeida, 
Ana Brito e Cunha, Sílvia Rizzo, Diogo Leite, André Nunes, Nuno Pardal, entre outros.