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Às Cavalitas do Vento

Seg | 22.08.16

inspiração de Instagram | Victoria, a @sapphire.reads


The Perks of Being a Wallflower, Everything is Illuminated, The Book Thief, Alice in Wonderland, Miss Peregrine's Home for Peculiar Children, Harry Potter: estes livros tiveram o condão de revolucionar um determinado momento da minha vida. Em comum? Para além de serem verdadeiras obras de arte literárias, todos eles foram adaptados ao grande ecrã. Em jeito de confidência, posso dizer-vos que A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak, foi o primeiro livro que comprei com o meu primeiro ordenado a sério (daqueles que, apesar de aos olhos de alguns serem míseros números, a mim fez-me querer dançar a lambada); esperei alguns meses para adquirir a edição que encontrou aconchego na minha estante, mas cada segundo de espera valeu a pena. Mal sabia eu que, muitos anos volvidos, já na altura da sua estreia nos cinemas, viria a escrever a minha primeira crítica para a revista Empire.

O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares começou por ser um encontro casual numa livraria que me fazia suspirar de cada vez que a visitava, a Pó dos Livros, mas acabou por se transformar num dos meus maiores amores da literatura juvenil. Não sei se alguma vez viram o filme You've Got a Mail (preparem-se para um interminável pranto!), mas, posso quase jurar-vos a pés juntos que, aquele paraíso de Entrecampos faz lembrar a loja gerida por Meg Ryan. Bem, a verdade é que a capa sinistra, tenebrosa e freak do livro de Ransom Riggs atraiu imediatamente o meu olhar; ao folheá-lo, soube que tinha de o trazer comigo. Recordo-me de ter passado uma noite em claro, a sonhar acordada com as figuras das fotografias que o autor foi colecionando e a partir das quais foi construindo esta narrativa. Sentia, ao ver-me embrenhada nesta fantasmagórica história que, a ser transformada em película, só Tim Burton teria o lunatismo necessário para recriar este universo paralelo. E quem ouviu as minhas preces, sabia que a minha cabeça imaginava apenas duas atrizes à altura do desafio que é vivenciar a Senhora Peregrine: Anjelica Huston e Eva Green. E não é que a minha eterna The Dreamer ficou com o papel? 

[© @sapphire.reads (Todas as imagens)]

O perfil de Instagram da jovem Victoria, mais conhecida por @sapphire.reads, é daqueles que, uma vez seguido, já não há volta a dar. É um entrelaçamento para a vida inteira. Penso que nunca vi flat lays tão inspiradores como os dela. A mesa de madeira gasta, as velas, o jogo de luzes e de sombras, a claridade da janela, as folhas secas das árvores, as chávenas de café quente, as mantas aconchegantes, os blocos de notas e as frases motivadoras, as câmaras analógicas e os gatos são os elementos mais recorrentes nas suas fotografias, onde os livros encontraram lugar cativo. Apetece viver dentro delas de tão arrebatadoras e delicadas que são. Perfeitamente alinhadas, mas ainda assim espontâneas, simples e repletas de candura. Além disso, sinto que a Victoria é uma das minhas almas gémeas espalhadas por este mundo. O gosto literário não engana, não é verdade?

Falta apenas um mês para o regresso do outono. O cheiro a terra molhada paira no ar e eu ando a morrer de saudades das noites frias, ao som da chuva e dos vinis de Nat King Cole e de Frank Sinatra, com um livro no colo, uma bebida quente à cabeceira e o aroma exótico do incenso no quarto. É um desejo que tem ecoado nos meus pensamentos nos últimos dias. E, nesses momentos, sinto-me infinita, tal como o Charlie em As Vantagens de Ser Invisível.

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Se ainda não seguem a Victoria, acedam aqui.

The Perks of Being a Wallflower - We Are Infinite
Sab | 20.08.16

almoçar no Atlântico Bar & Restaurante


Se estivéssemos na época dos Descobrimentos, o Atlântico Bar & Restaurante seria, certamente, o cais dos marinheiros que perseguiam os abismos das águas, como Santiago na obra O Velho e O Mar, de Ernest Hemingway. Este novo espaço da Marginal, com vista para o Tejo, é uma das pérolas do oceano que banha a costa portuguesa; é impossível passar ao largo do hotel Intercontinental e não ser envolvido pelo cheiro a maresia, a peixe fresco e a especiarias. Estes produtos bem que podiam ser transportados em caravelas com mastros ao vento, mas a verdade é que chegam à cozinha do restaurante pela mão do chef Jorge Fernandes.


Na rota dos foodies incuráveis, há paragens obrigatórias e digo-vos, de paladar inebriado e estômago cheio, esta é uma delas! Foi num harmonioso e soalheiro dia de verão que eu e a minha princesa nipónica, a Sara, rumámos até à Avenida Marginal, no Estoril, para uma degustação de algumas das especialidades do cardápio. Já tinha estado presente na inauguração noturna do espaço, em fevereiro passado, mas queria saber como era deliciar-me com as iguarias da casa envolvida pela ambiência da luz do final da manhã. O sol foi gentil e, nesse dia, procurou ser menos enérgico, mas ainda assim manteve o seu fulgor, para que a brisa marítima pudesse rodopiar.

[Ⓒ Sara Ritchie] 

Fomos recebidas com sorrisos cativantes por parte dos empregados e com uma simpatia espontânea; talvez por isso a sensação de aconchego tenha sido imediata. A gerência do restaurante reservou-nos uma das mesas do terraço, um detalhe que tornou a nossa refeição mais descontraída. À mesa esperava-nos um cesto de pão, manteigas caseiras aromatizadas, patê de atum dos Açores e queijo marinado. Tudo era uma delícia! Aliás, aquele pote não me sai da cabeça. Afastem a JJ da mesa dos queijos, minha gente. Please!


Bem, o momento de escolher as entradas e o prato principal do menu do Atlântico foi, confesso-vos, o mais moroso. As descrições dos ingredientes utilizados faziam crescer água na boca e a nossa vontade de experimentar diferentes combinações de sabores começava a manifestar-se de forma efusiva. No entretanto, uma das empregas sugeriu-me que provasse uma das invenções da casa, o mojito de maracujá. Eu, que nem aprecio frutos exóticos, mas que não resisto, socialmente, a um cocktail preparado com rum, fui conquistada. Para começar... com um twist, como anuncia a ementa, optámos por experimentar as gyosas de camarão com molho teriaky (sim, aquele tempero que confere um toque especial ao sushi!), chévre panado com coulis de frutos vermelhos, e choco em tempura de cerveja. Apesar de termos ficado saciadas, o nosso estômago guardou espaço para a prova de dois dos pratos principais, sendo que também eles obrigaram a largos minutos de conferência entre mim e a Sara. Quinoa com espargos verdes e pasta de trufa, risoto de sapateira com champagne e citrinos? Parecem-vos hipóteses atrativas e suculentas? A nós soube-nos a aventuras em alto-mar, a cânticos de sereias e ninfas, a viagens nas faluas do Tejo. A atenção aos pormenores, essa, também não passa despercebida: os pratos parecem conchas e os copos têm a cor das águas mais profundas dos oceanos. Ou então é apenas a minha imaginação a ser irrequieta, como é seu apanágio.

[Ⓒ Sara Ritchie] 

Pensavam que a minha barriga tinha encerrado para descanso provisório daqueles bonecos do Era Uma Vez... O Corpo Humano? Desenganem-se! Na verdade, eles passeiam-se pelo meu esqueleto e perguntam com bastante frequência: mas onde é que esta catraia guarda tanta comida, caramba? Ela lá consegue arranjar sempre mais um buraquinho. Raios! Na inauguração do Atlântico tinha ficado de olho na mousse de requeijão, bolo de espinafres e gelado de noz. Fotografei a obra de arte criada pelo chef, mas não tinha tido oportunidade de lhe espetar uma garfada. Pois que é irresistível, mesmo com esta fusão improvável de sabores. Já a Sara, que é louca por coco, quis saborear a mousse hit de verão, cuja composição é apresentada na própria casca da fruta. Naquele instante, fomos transportadas para o outro lado do oceano, para o paraíso descoberto por Pedro Álvares Cabral, em 1500, o Brasil.


O Atlântico Bar & Restaurante lembra uma casa de praia moderna e requintada, com as madeiras, uma paleta de tons azuis e brancos, e cardumes de peixes, a predominarem na decoração. Deixem-se arrebatar pela ampla vidraça que separa a sala interior da esplanada - ficarão maravilhados! Os raios de luz natural ramificam-se e inundam o espaço com o seu eterno esplendor.

Apesar de ser um estabelecimento que dá primazia ao marisco fresco com alguns apontamentos mais artísticos, há uma miríade de opções para os clientes vegetarianos e para os foodies que ainda não conseguem viver sem um entrecôte de novilho com batata e amêndoa, só para dar um exemplo. E fiquem ainda a saber que há uma proposta que traz água no bico, ou melhor dizendo, álcool: um menu de tapas composto por uma harmonização com champagne Laurent Perrier, da qual se evidencia o prato de salmão gravelax com lima. Sounds like heaven, right? E não é que é mesmo?

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Avenida Marginal, 8023, Monte Estoril
Horário: 12h30-15h30 e 19h30-22h30. Fecha segunda-feira.
Telefone: 218 291 100
Qua | 17.08.16

Pare, Escute e Mude, de Diana Patrício

Se somos o que comemos? Sem sombra de dúvida! Aliás, na Bretanha, há vários séculos que ecoa no tempo um provérbio repleto de sabedoria: “alimenta bem o teu corpo, a tua alma ficará lá mais tempo”.


É verdade que nesta altura do ano a preocupação com o nosso corpo e com o nosso bem-estar emocional é redobrada. O verão torna-se sempre sinónimo das tão aguardadas "férias grandes"; os pés anseiam passear descalços e sentir a areia cálida, os cabelos desejam exalar o irresistível aroma a coco, as pernas querem ver a luz do dia e adquirir aquele arrebatador tom bronzeado. Mas nunca, nem por um só segundo, se esqueçam que esta estação soalheira pode também agravar o nosso estado de saúde, se não formos cautelosos sob condições atmosféricas intensas.

Tenham isto em atenção! Não abusem da luz solar direta, sobretudo na horas não recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, optem por refeições mais leves e nutritivas, como, por exemplo, legumes e fruta, e evitem passar demasiado tempo dentro de água, caso esta situação se verifique imediatamente a seguir ao almoço.

Como leitores do Às Cavalitas do Vento, certamente já terão percebido que, por aqui, damos preferência aos produtos de beleza de origem natural, não testados em animais, e a todas as maravilhas que vêm da terra. Ao longo dos anos, fui percebendo as reações do meu organismo a determinados medicamentos e a influência que os mesmos tinham no meu dia a dia. A médica de família que me acompanhou até aos meus 25 anos não era a maior adepta de antibióticos e, sobretudo, de comprimidos para a gripe; e, verdade seja dita, hoje em dia, só tenho a agradecer-lhe por isso. Descobri na natureza e nas mezinhas da minha avó Tília várias propriedades curativas. Desde criança que tomo xarope de cenoura para a tosse, borrifo a almofada com perfume de alfazema para ter uma noite tranquila, coloco rodelas de batata na cabeça quando tenho uma enxaqueca. Tudo resulta! Não quero com isto dizer que descuro a medicina praticada num hospital ou centro de saúde; pelo contrário, acredito é que a naturopatia pode coexistir e ajudar-nos a levar uma vida mais salutar e feliz.


Nesse sentido, o livro Pare, Escute e Mude, da naturopata Diana Patrício, editado pela Chá das Cinco, uma chancela da Saída de Emergência, chegou à minha vida como uma bússola. Prevenir e cuidar de todas as doenças recorrendo a plantas medicinais tornou-se na minha maneira de escutar os sons do meu corpo. Procuro ler-lhe os sinais que me levam a crer que algo está errado, para tentar encontrar uma resposta na Mãe-natureza.

Segundo Diana Patrício, as maleitas são desequilíbrios que se alojam no nosso organismo. Harmonizá-lo deve passar a ser a nossa principal preocupação; por outro lado, a medicina tradicional centra-se, primeiramente, na raiz do mal. Não é uma demanda que considero estar totalmente errada, uma vez que defendo que a convenção pode caminhar de mãos dadas com uma abordagem mais holística à saúde.

Levando a bom porto a premissa de ter uma vida mais saudável, esta naturopata colocou de lado os laticínios, os açúcares e todos os alimentos processados; ou seja, decidiu focar-se em estratégias específicas para melhorar o seu conforto físico e interior. Para as infeções na garganta recorre ao gengibre e à alteia, para a azia prepara uma infusão de erva-cidreira, para as queimaduras solares socorre-se de um óleo de alfazema. Ah, e sabiam que, finalmente, encontrei a resposta para o facto de gostar tanto de mexer nas orelhas das pessoas que me são próximas (é uma cisma que tenho desde bebé)? Ajudam a apaziguar o nosso sistema nervoso! Espantados? Experimentem, mas, ressalvo, não se esqueçam de falar com o vosso médico de família. 

[O livro foi gentilmente cedido pelas Edições Chá das Cinco, uma chancela da editora Saída de Emergência, mas a minha opinião é absolutamente imparcial.]
Ter | 16.08.16

Hannah Ellen, do blogue Cup of Positivity


Não é segredo para ninguém que a Hannah Ellen Josephine é a minha instagramer favorita há já alguns anos. A sua conta é uma lufada de ar fresco, uma brisa aconchegante, um sopro de felicidade. Se há cantinho onde os pequenos detalhes da vida se demoram é precisamente aqui, no universo de @dudeellen.

A partir do momento em que começarem a acompanhar o seu trabalho nas várias plataformas digitais nas quais se movimenta, tenho a certeza que lhe concederão um lugar cativo no vosso rol de inspirações diárias. Prestes a completar 22 anos, esta jovem de Singapura, que vive atualmente no sul da Suécia (a Escandinávia parece chamar por mim!), é vegan e pratica yoga. Tal como eu, coleciona vinis das décadas de 1960 e 1970, e tem em Ella Fitzgerald uma das suas maiores paixões musicais. A trilogia de J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, ocupa o trono do seu coração no que toca a filmes de eleição, delicia-se com as gotas de chuva, perde-se de amores por plantas, enamora-se pela melodia das palavras e não vive sem uma chávena de café (ai, compreendo-a tão bem!). 

[© Hannah Ellen (Todas as imagens)]

Aos dezasseis anos foi-lhe diagnosticado um transtorno alimentar, mas, hoje em dia, tem saúde para dar e vender. Os seus pequenos-almoços, simples, nutritivos, coloridos e caseiros, deixam-nos com água na boca e adquirem um encanto especial quando os seus gatos, Molly e Charlie, decidem dar o ar da sua graças. As imagens das suas saudáveis taças e dos seus chás exóticos, envolvidas pela luz natural da janela e pela dança dos cortinados ao vento, são absolutamente mágicas de tão perfeitas que são. As sombras que o sol pincela nos lençóis brancos da sua cama fazem-nos querer demorar o corpo no aconchego do nosso ninho noturno, só mais um pouco. Na verdade, acabamos por desejar cristalizar no tempo os momentos de puro deleite visual. Esta blogger yogi confessa-se pouco fã de sobremesas, mas não consegue resistir a chocolate, amêndoas e sal marinho.


A natureza e o design de interiores são duas das suas paixões mais fervorosas - já perceberam que tenho aqui uma alma gémea, correto? Claramente fomos separadas à nascença. Gosta de sentar-se à beira-mar e de deixar o seu olhar perder-se na imensidão das águas, pois há algo neste quadro bucólico que lhe oferece paz de espírito e tranquilidade.


No passaporte, há carimbos dos quatro cantos do mundo, desde a Nova Zelândia, ao Japão e à Indonésia. Um dos seus maiores sonhos é escrever um livro, um guia que inspire as pessoas a levarem uma vida que escolhe o presente como tempo verbal, com uma atenção plena a tudo o que nos rodeia (mindfulness), mas também repleta de uma valente dose de amor-próprio e de força para enfrentar todas as adversidades.

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Se ainda não seguem a Hannah Ellen, aqui estão os quatro pontos cardeais da sua rosa dos ventos:
Seg | 15.08.16

almoçar sushi à beira-mar, no SANA Sesimbra Hotel


Imaginem este quadro idílico: comer sushi fresco à beira-mar com vista para a Serra da Arrábida e para o horizonte, com o azul do céu e os raios de sol amarelo torrado a pincelarem a vossa tela. Já sonharam acordados? Então agora posso dizer-vos que estão a apenas alguns quilómetros de concretizarem este desejo. Como? Só precisam de se aventurarem numa roadtrip e partirem à descoberta da vila piscatória de Sesimbra


O ponto de encontro? O arrebatador SANA Sesimbra Hotel. Até quando? Bem, eu diria que têm de ser rápidos, pois o dia 18 de setembro aproxima-se a passos largos. O Soul Sushi, em Almada, mudou-se de armas e bagagens para esta zona da Margem Sul, mais precisamente para o restaurante Espadarte, que se situa no piso térreo do hotel; mas, como salientei, é provisório. Vá, do que estão à espera?


Aproveitem para caminhar pela praia e dar um mergulho, deitando o sol intenso para trás das costas à hora de almoço. Sentem-se na esplanada do restaurante, a dois ou com um grupo de amigos, e peçam a limonada da casa, feita à moda antiga: sem açúcar e com o delicioso toque do manjericão. A paisagem... bem, essa, é de cortar a respiração. É impossível não desviar o olhar para as ondas do mar, para o jogo perfeito entre a sua quietude e o seu lado lunar, mais intempestivo. Ao balcão, os sushimen de serviço mostram o que de melhor se faz na cozinha oriental, num show de live cooking que se propõe a fazer as delícias dos foodies deste país.


Para conferirem um sabor ainda mais especial às vossas férias de verão, deixem-se maravilhar por esta degustação de sushi, que está disponível aos jantares de quinta a domingo e, aos almoços de sábado e de domingo. O cardápio é de comer e chorar por mais; as descrições dos ingredientes que compõem os vários pratos deixam-nos a salivar e a vontade de provar todas as combinações cresce dentro de nós a um ritmo alucinante. Da carta, sugiro-vos a tempura de camarão (15€) para entrada. À mesa chegam-vos quatro camarões fritos em massa tempura japonesa acompanhada de maionese especial do chef. No que toca às especialidades, não podem deixar de provar o prato Soul Delice (12.50€). Em que é que consiste? Preparados para limpar a baba que escorre sem parar? Tudo começa com uma base de arroz envolvida em coentros, maionesa japonesa, tempura de camarão regada com sweet chili e teriyaki, finalizada com cebola frita. Tentador, não? Mas, na carta, há ainda muito por onde escolher. Não deixem escapar o Soul Maki Special (15€), uma iguaria que leva uramaki com tempura de camarão, salmão e apontamentos de maionesa japonesa; por cima, aguardem a presença de salmão braseado, ovas tobiko e molho teriyaki. Por fim, é obrigatório pedir combinados de peças sushi e de sashimi, sendo que podem decidir-se entre a confeção tradicional ou a muito em voga fusão. Neste caso, os preços variam entre o 18€ e os 38€.


Fiquem ainda a saber que o SANA Sesimbra hotel abre a piscina ao público (12.50€) e que organiza imperdíveis sunsets de entrada gratuita no rooftop, todas as quartas-feiras e sábados, entre as 17h00 e as 21h00. Fancy, hã? Ah! E experimentem o jacuzzy. Vão querer ficar por lá o resto da tarde! Não se esqueçam da garrafa de água (em frascos de vidro, pretty please!), do protetor solar para o corpo e para o rosto, do óleo para o cabelo e do creme after sun. E de preferência, não dispensem a companhia de uma almofada de praia Maria Cenoura (se ainda não espreitaram a nova coleção e a parceria com a bkini, devo confessar-vos que estão um arraso) e de um fato de banho bem catita, como este da Nyos, da linha Wilderness By The Sea.

T-shirt, calças e sandálias - Lefties | Brincos e cesto de praia - Primark |Óculos - Wolfnoir | Relógio - Casio

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Restaurante Espadarte
Av. 25 de Abril, Sesimbra
Tel. 212 289 000
Sab | 13.08.16

Yoga Girl, de Rachel Brathen


Meditar nunca é demais. Praticar o bem. Ser grata. Viver em pleno. Estas tornaram-se as minhas máximas de 2016, em grande parte, graças ao facto de ter conhecido pessoalmente a inspiradora Rute Caldeira, cuja história de vida deixou-me completamente siderada e com ainda mais vontade de aproveitar esta dádiva, que é a minha existência na Terra, em toda a sua plenitude. 

Também o Instagram teve um papel preponderante na minha mudança de atitude e no meu processo de transformação. Quando abracei a vida saudável, comecei a praticar pilates e meditação, a ingerir alimentos orgânicos e a seguir uma panóplia de perfis absolutamente revigorantes. Entre eles, estava o da sueca Rachel Brathen, uma jovem de 26 anos. Cativante, serena e cheia de garra, a Yoga Girl ajudou-me, de alguma forma, a fazer as pazes com o passado e a acreditar que, por muitos obstáculos que se cruzem no nosso caminho, há sempre uma luz ao fundo do túnel, que nos encaminha para o equilíbrio. 

[Ⓒ Rachel Brathen] 

Este ano, esta famosa instrutora de yoga editou um livro com o mesmo nome da sua conta de Instagram; dedica-o a todas as pessoas que já tiveram a oportunidade de pisar um tapete típico desta disciplina física e mental indiana, mas, sobretudo, àquelas que ainda não o fizeram, apesar da vontade que lateja dentro delas. Neste seu diário íntimo, que escolheu partilhar connosco sem amarras, ficamos a conhecer as recordações dolorosas da sua infância, a adolescência rebelde e problemática, o comportamento deliquente e a total ausência de livre arbítrio. O caminho para a autodestruição fazia-se próximo e o negativismo tomava as rédeas da sua jornada. Bebia, fumava, mentia; no fundo, escondia-se de si mesma.

Quando tudo parecia estar perdido, Rachel, na altura com 18 anos, fez um retiro espiritual a pedido da mãe, uma escolha que tomou como sua e que acabaria por virar o seu mundo de pernas para o ar, um avesso que viria a trazer-lhe paz e tranquilidade. Confessa que a prática de yoga mudou totalmente a sua forma de estar e que, desde que, descobriu esta ancestral conexão entre o corpo, a mente e o espírito, nunca mais desejou regressar ao seu antigo eu, sem quaisquer horizontes na linha do destino. No entanto, aprendeu a aceitar as memórias como parte do seu amadurecimento e da sua batalha.

[Ⓒ Rachel Brathen]

As suas publicações no Instagram são tão honestas, autênticas e humanas, que acabamos por sentir-nos em casa, de coração aconchegado. Na verdade, ela incentiva-nos a aceitarmos o nosso ser, por dentro e por fora, a amarmos a nossa essência e, a partilharmos as nossas alegrias e as nossas inseguranças, para que não nos sintamos sós com os outros e, claro, connosco. 

Atualmente tem milhares de seguidores em todas as suas redes sociais e vive na exótica ilha de Aruba, no Caribe, na companhia do marido e dos seus ternurentos cães. Pratica o bem, sabendo que só assim é que ele lhe pode entrar pela porta adentro, sem convite prévio. Fá-lo porque apenas deste modo é que a sua chama imensa tem lenha por onde arder.

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Se quiserem acompanhar o dia a dia de Rachel Brathen, sigam-na aqui:

[O livro foi gentilmente cedido pela Nascente, uma chancela da 20|20 editora, mas a minha opinião é absolutamente imparcial.]

Ter | 09.08.16

inspiração de Instagram | Halle Berry


Escrevo-vos nas páginas do meu caderno de viagens, a sentir a brisa do vento e o odor a maresia. Estou sentada numa rocha do Portinho da Arrábida, envolvida pelo fresco da sombra e acompanhada por um leve vestido azul celeste, uma água aromatizada, o livro 100 Mandamentos para a Felicidade (de Marta Davies Martens) e da minha Montblanc.

Deixem-me partilhar convosco um segredo: ainda em criança, herdei da minha mãe o gosto pela leitura. Cresci rodeada de estantes, demasiado grandes para o meu tamanho, repletas de livros até ao topo; era frequente verem-me a ler a um canto da casa ou à beira-mar durante as férias de verão no Meco. Este amor imenso que tenho às palavras cresce a olhos vistos, por isso não consigo mesmo sair de casa sem um bloco de esquissos e A Caneta, com os quais cinzelo as minhas histórias nas esquinas do tempo. 

Sempre sonhei ter uma Montblanc, talvez porque, na minha ingenuidade, acreditava que os espíritos de Ernest Hemingway ou de Silvia Plath pudessem descer sobre mim, permitindo-me criar uma verdadeira obra de arte literária. E foi na minha viagem à Régua (que puderam acompanhar através do Instagram, mas que será um pretexto para uma inspiradora publicação), que o meu primo em segundo grau me presenteou com a peça que faltava no meu kit de escritora; e é através da sua magia que tenho dado vida aos textos do blogue.

[© Halle Berry (Todas as imagens)]

Portanto, aproveitando a dose de inspiração que se apoderou recentemente de mim, dou, hoje, início, à rubrica "Inspiração de Instagram", que todas as segundas-feiras marcará presença aqui, no Às Cavalitas do Vento. Talvez por estar a escrever-vos rodeada pelo verde das árvores e pelo azul do mar, a minha primeira escolha tenha recaído sobre a conta da atriz Halle Berry. Ela é, aos meus olhos, uma das mulheres mais sublimes da Sétima Arte. 

Não me recordo de alguma vez a ter visto demasiado maquilhada. Não precisa, sejamos sinceros: a pele aveludada e bronzeada pelo sol, o sorriso cativante e genuíno, a discrição e a elegância com que pisa a passadeira vermelha, os olhos cor de avelã, tornam-na deslumbrante.


Quando contemplamos as fotografias que compõem a sua galeria, é inevitável não pensarmos no vídeo da música All Good Things, de Nelly Furtado, na inocência de Brooke Shields no clássico do cinema A Lagoa Azul, nas performances de Ana Medienta ou na nova princesa da Disney, Moana. Os tons acastanhados ramificam-se, respira-se natureza, o mar entra-nos pelo corpo adentro, o vento amarra-se à alma. Ela é terra, fogo, água, ar, tudo num só grito. 


De alguma forma, desejamos que a sua quietude nos apazigúe numa enchente. Sonhamos com uma casa de estilo campestre, com alpendre e águas furtadas, no cimo de uma colina, com vista para a imensidão do mar e para um jardim florido. Imaginamos uma chávena de um chá exótico a aquecer-nos as mãos, os cortinados a esvoaçar ao sabor do ar, o gato a ronronar ao nosso colo, naquela cadeira de baloiço especial, a pedir só mais um cafuné.


A verdade é que dou por mim a almejar viver dentro do universo mágico de Halle Berry. A razão? Bem, não há qualquer descontentamento no meu mundo; tudo pode ter um final feliz (apesar de eu preferir os inícios e as metades das laranjas). Mas estão a ver aquela ampulheta que queremos congelar, para perdurarmos naquele instante só mais um pouquinho, porque ele não é mais do que um rasgo de tranquilidade? É tão isto. Beber desta luz que os pequenos prazeres da vida nos proporcionam. Sem pedir nada em troca.

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Curiosamente este é o mês dela, pois faz anos no próximo domingo, 14 de agosto.
Sex | 05.08.16

Margot Robbie, a "killer queen" de "Suicide Squad"


Madness everywhere! Não tenho outra fórmula para descrever o blockbuster deste verão, Suicide Squad. Sim, é verdade que as críticas internacionais arrasaram o argumento de David Ayer (também ele realizador do filme) e que este pode não ter sido um tiro tão certeiro como os de Deadshot (personagem interpretada por Will Smith); mas, ainda assim, não deixam de ser 123 minutos de puro entretenimento, envolvidos numa banda sonora do catano - até Eminem nos seus tempos áureos aparece por lá -, que só não é o chantilly deste cocktail explosivo porque a hipnotizante Margot Robbie desfila com a sua minúscula fatiota. Lunática, sexy, fierceless. Harley Quinn, o seu ar alucinado, o seu sorriso naughty e o seu taco mortífero roubam-nos toda a atenção. Good girls gone bad, já dizia a Rihanna. Tão kick-ass!

Infelizmente, Jared Leto não surpreende como Joker, ao contrário das minhas expetativas. Bem sei que é praticamente impossível superar Heath Ledger, mas ainda havia uma réstia de esperança no meu coração, já que o vocalista dos 30 Seconds To Mars integra a lista dos meus atores favoritos. O riso é perturbador e genial, mas os rasgos de loucura pecam por serem inoportunos e extremamente exagerados. Cara Delevigne encarna uma feiticeira que tinha tudo para ser implacável; todavia, a personagem fica emperrada num conceito já demasiado batido em Hollywood. A luz ao fundo do túnel? Viola Davis, que chega sempre para ver e vencer, sendo ela, enquanto membro do governo norte-americano, a responsável pela formação deste Esquadrão Suicida. 

Aqui não há espaço para os bonzinhos - e ainda bem, dizemos nós! Por vezes, a beleza de tudo está neste conflito interior entre o bem e o mal que habita em nós e, sobretudo, na sua aceitação. Vá, agora, quero ver toda a gente a correr para a sala de cinema mais próxima e a desbundar desta película marada.