Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Às Cavalitas do Vento

Sex | 28.10.16

fala-me ao ouvido: o renascer de Lady Gaga


Trocou o dance pop pelo country e pelo soul - e ainda bem, dizemos nós! Ela devia esta metamorfose a si mesma e à sua poderosa voz, que teimava em esconder-se atrás de sintetizadores e de canções meio-cheias, com letras insípidas sobre erotismo, fama, dinheiro e questões de género; ainda assim eu conseguia abanar o esqueleto ao som de êxitos dos seus quatro álbuns anteriores, como The Edge of Glory, Bad Romance, Born This Way e Love Game. Mas agora Lady GaGa decidiu fazer renascer Stefani Joanne Angelina Germanotta, o seu nome de batismo, qual fénix em ascensão ao céu. Ela deixou de lado os looks excêntricos e arrojados, apresentando-se agora mais simples e elegante. Há quem diga que este é apenas só mais um dos muitos devaneios de GaGa, menos convincente que os do seu passado, e que o ego que a acompanha continua a rejubilar. Sinceramente? Bullshit! Brilha, Joanne, e dá-nos (dá-lhes, aos críticos) milhões de razões para ficarmos a ouvir-te.  

*Cliquem na imagem e deixem-se conquistar pela letra de Million Reasons - e aqui para ouvirem o álbum na íntegra.
Ter | 25.10.16

brunch todos os dias? é na Nicolau Lisboa


Penso que chegou a altura certa de partilhar convosco algo que até há bem pouco tempo era segredo: em novembro mudar-me-ei para o Chiado. Os escritórios da minha nova empresa têm como morada uma das zonas mais culturais, boémias, emblemáticas e fascinantes da minha Lisboa-luz. Por ser uma paragem obrigatória para os artistas fez todo o sentido para mim estagiar na rádio Renascença (entre 2009 e 2010) e estudar cinema de animação na Faculdade de Belas Artes (em 2011). Subir diariamente a Calçada de São Francisco em direção à Rua Ivens e, mais tarde, ao Largo das Belas Artes deixava-me profundamente feliz. Difícil era resistir à tentação de fazer visitas recorrentes aos Armazéns do Chiado.

Agora sinto os primeiros tremores da minha carteira ao pensar na proximidade geográfica ao Royale e ao Vertigo Café. Mas o rol de desculpas para gastar só mais um euro num cappuccino catita promete ser extenso, sobretudo quando a cafetaria saudável do momento decide criar raízes tropicais a escassos metros do meu novo ninho. O que será de mim e da minha conta bancária com a Nicolau Lisboa tão perto? Ainda para mais sabendo que o brunch tem lugar cativo na ementa? Sim, há todos os dias e a qualquer hora, minha gente. É o sonho de qualquer foodie deste planeta! Ai, caraca! 


Foi num sábado soalheiro que decidi não só estrear o meu vestido de veludo verde-esmeralda, mas também experimentar o tão badalado Brunch Nicolau (€ 13 por pessoa). Não sou de hypes ou espaços da moda, sou pelos ideais "Comida de conforto + espaço acolhedor + atendimento cativante"; e, verdade seja dita, as fotografias da Zomato, da Time Out Lisboa e do Instagram foram o convite de que precisava para sair de casa de câmara em punho e com um ratinho na barriga. 

Situado no Home Lisbon Hostel, na Rua de São Nicolau, o interior deste espaço está decorado com azulejos verde água - uma cor que homenageia as portadas originais -, uma torradeira Smeg, um gira-discos e uma coleção de vinis que podem por a tocar, uma leiteira que serve de vaso, um papel de parede a fazer lembrar a Amazónia e o letreiro a néon com o nome da cafetaria.


Todas as refeições da Nicolau Lisboa são caseiras, sendo confecionadas pela chef Ana Viçoso. E posso confidenciar-vos que o brunch é absolutamente delicioso, para além de ser bastante económico - quando comparamos o preço e a quantidade de comida aos de outros locais lisboetas, ficamos pasmados a olhar para a mesa. Fiquem então a saber quais as escolhas nutritivas do nosso apetrechado pequeno-almoço: panquecas, taças com iogurte, granola e fruta da época, sumo de laranja, tosta de abacate e, de salmão fumado e queijo creme, café ou chá. Nós não o fizemos, mas podem sempre adicionar ovos mexidos ou benedict para compor o ramalhete e conferir ainda mais cor à vossa degustação.


O espaço é recente e as críticas insurgem-se, mas posso dizer-vos que a nossa experiência foi bastante aprazível e recomendável. Espero aproveitar a tão aguardada mudança de instalações para poder dar um saltinho à Nicolau Lisboa e experimentar a taça de açaí com granola caseira e fruta, os smoothies, as papas de aveia com mel e a tapioca (o meu novo vício!) com queijo.

---
Nicolau Lisboa 
Rua de São Nicolau, 17, 
Baixa, Lisboa 
Brunch Nicolau: € 13 por pessoa
Telef. 21 8860312
Aberto de segunda-feira a sábado
Sab | 22.10.16

JJ, a irmã do vento


Esta publicação esteve a marinar durante os vários anos de existência deste espaço. As razões? Na verdade, ficava sempre com a sensação que havia algo mais a confidenciar, apesar de preferir deixar espaço para o mistério. Falar sobre mim deixa-me sem jeito. Quando partilho histórias sobre quem me inspira, aí sim os meus olhos iluminam-se. Não parecem aqueles incandescentes faróis da minha girl crush cinematográfica, a Emma Stone, mas há quem diga que fazem lembrar pirilampos no ar.

Mas aqui vamos nós...

Salut, queridos leitores! Sou a Joana Clara, JJ, Jay Jay, Caró, Pocahontas, Andorinha, Colibri (batizada pela minha Vânia, do Lolly Taste), Irmã do Vento, little greenmiracle workergypsy girl... Tenho tantos nomes, diminutivos e alcunhas, ofertados pela família, pelo namorado, pelos amigos e pelos colegas de trabalho, que perco o norte ao sentido. Mas, verdade seja dita, há uma frase que faz jus a esta turbulência de identidade e que me assenta que nem uma luva. Foi usurpada a Caitlyn Siehl (com a sua licença) e reza assim:

"I am a world that cannot be explored in one day. 
I am not a place for cowards.”

Touché! Bang bang! Nasci num dia solarengo de primavera, o da Criança, corria o ano de 1988. Belém foi o meu berço e aprendi a amar a minha Lisboa, princesa do Tejo e cidade-feiticeira, com todo o coração.

Gosto de pensar que fui mordida sem antídoto pelo bichinho das artes e por todas as suas formas de expressão, ainda que, infelizmente, não tenha jeito para a ilustração. Sonhei ser arqueóloga (em homenagem à minha mãe e às tardes infindáveis de Tomb Raider), mas os meus dedos queriam uma partitura com palavras mágicas. O jornalismo cultural tornou-se a minha profissão e este é o papel principal que interpreto para estar próxima da minha eterna paixão: contar histórias inspiradoras. Sim, gosto demasiado de pessoas-luz e de sentir a sua transcendência. E já tive o privilégio de escrever sobre elas para as revistas Visão, InsomniaGerador e Epicur.


Tenho o ar como elemento do zodíaco e, talvez por isso, sinto que o meu caminho é feito sempre ao sabor do vento. Em 2011, criei o blogue Às Cavalitas do Vento, que, mais tarde, deu origem à minha conta de Instagram, o meu diário de bordo. Quatro anos depois tatuei uma andorinha no meu pulso direito, para me relembrar que a esperança e a liberdade são os meus lemas de vida.


Em pequena, herdei a Kodak Brownie do avô Carlos e desde então coleciono câmaras fotográficas, para cristalizar no tempo as minhas memórias mais preciosas. Durante seis anos e meio, a revista O Mundo da Fotografia foi a menina dos meus olhos. Fui jornalista, editora, produtora de conteúdos multimédia e fotógrafa; tive a oportunidade de viajar pela Europa: de passear de charrete pelas ruas imperiais de Viena de Áustria, de jantar num dos mais belos terraços de Barcelona, de provar os melhores churros de chocolate madrilenos, de saborear os Dunkin Donut's de Colónia, de atravessar o rio Tamisa de barco e de almoçar no restaurante vintage mais catita de Londres, de assistir ao espetáculo de luzes da Torre Eiffel e de disputar muffins com os meus companheiros das tecnologias, de ter uma conversa em inglês durante cinco horas com um desconhecido que se aninhou numa das gavetas do meu coração, em Palma de Maiorca.

cinema é o meu amor supremo; não é minguante nem novo, mas sim cheio e crescente dentro de mim. Partilhei-o durante 19 anos com o meu falecido avô, a pessoa que me deu a conhecer clássicos como A Menina da RádioE Tudo o Vento Levou e Música no Coração. Não vivo sem filmes franceses, o sorriso da Audrey Hepburn, o imaginário de Tim Burton, o suspense de Hitchcock e os mil e um quizzes de cinema criados. Entradas para riscar na #JJsBucketList? Entrevistar o Dustin Hoffman (e, se possível, vê-lo vestido de Hook ou de Mr. Magorium) e a Oprah Winfrey, e, claro, jantar com a minha alma gémea gypsy, a Stevie Nicks

Enamoro-me todos os dias pelos detalhes da vida e ando sempre com um bloco de notas atrás, qual Amanda Seyfried no filme Cartas para Julieta. Ah, a Fuji Intax Mini 70 e o smartphone são os meus companheiros artísticos. Perco-me no cheiro dos livros e um dos meus sonhos é ter uma biblioteca semelhante à de A Bela e o Monstro. Na minha cabeça, o espaço nas estantes da minha casa é infinito - só que não.


Sou adepta de um estilo de vida saudável, já posei para alguns fotógrafos que admiro (o que ainda me deixa a flutuar) e ando sempre à procura de peças vintage. Dar valor a objetos antigos foi um dos ensinamentos dos meus pais: a minha mãe trabalha com colecionadores de obras de arte, o meu pai faz magia numa das retrosarias mais antigas da Rua da Conceição.

Gosto de pequenos-almoços tardios, do cheiro a terra molhada, do aroma a canela e a alfazema, do sabor do bolo de cenoura e chocolate da minha mãe, de combinar ingredientes improváveis, de visitar lojas de segunda mão, de percorrer as lombadas dos livros com o dedo indicador, de contemplar a luz da minha Lisboa, de ter conversas demoradas sobre cinema, de ouvir Nat King Cole, Norah Jones, Phil Collins e Françoise Hardy no meu gira-discos, de usar batons vermelhos e cor de ameixa, de me cruzar com o número 11, de ter o sol a entrar pela janela do quarto, de me deitar nos lençóis lavados depois do banho, de passear com os cabelos ao vento e de me aninhar nele.

Coleciono canecas, figuras do R2-D2, t-shirts de bandas, jogos de tabuleiro, bilhetes de cinema e folhas secas de outono. E abraços - daqueles bem apertadinhos e quentinhos. 

Aos domingos, gosto de ser crítica gastronómica. Visito restaurantes e cafés sugeridos pela Zomato, pela revista Time Out e pelo livro de bolso Lisboa à Mesa, para poder experimentar as melhores iguarias nacionais e, claro, fotografá-las.


Dickens, o meu gato, é o meu co-piloto. A escolha do nome foi inspirada num dos meus autores favoritos, Charles Dickens. O meu espírito livre dá cor aos meus dias e faz-me imensa companhia. Não sei se alguma vez partilhei convosco, mas ele tem um vinil predileto, que adora ouvir todas as noites: De Um Tempo Ausente, dos Sétima Legião.

Cliché ou não, gosto de pensar que a minha vida dava um livro... E que o seu lançamento está para breve, muito breve. "É só deixar a porta aberta para a ilusão entrar". Sempre!


Se quiserem ficar a saber o que é que me inspira diariamente, sigam-me nestas plataformas digitais:
Instagram // Facebook // Pinterest // Tumblr 

STAY TUNED!
Sex | 21.10.16

fala-me ao ouvido: a densidade de Banks


Eu sei, eu sei. Não é um álbum deste ano e nem sequer é o trabalho mais recente da californiana Jillian Banks, mas, para mim, continua a ser um dos melhores lançamentos da indústria musical até à data. Vibrante, intensa e explosiva, esta gemiana nascida em 1988 (soul sister alert, I know!) é uma das minhas companhias favoritas nos dias gélidos de outono. As músicas remetem-me para a ambiência presente nos discos de Fiona Apple, London Grammar, Kyla La Grange e MØ, mas a forma como Banks se despe de emoções aos nossos ouvidos, confidenciando-os os seus segredos mais profundos, aproxima-nos dela. Floresce um laço indizível e a aura mística desta deusa embala-nos com determinação. Bang bang!

"Take it from the girl you claimed to love.
You got to get some bad karma.
I'm the one who had to learn to build a heart made of armor."


*Cliquem na imagem e mergulhem nas profundezas de Drowning.
Seg | 10.10.16

Zara, pára de fazer isto ao meu coração!



Não tenho por hábito dispensar minutos do meu dia a fazer scroll em páginas de lojas de roupa - por norma, isto costuma acontecer com espaços online dedicados a alimentação saudável e a cosmética natural. Mas quando as minhas amigas me fazem chegar links de bombers que parecem biker jackets à la Bon Jovi (€ 49.95), fico à beira da taquicardia. Chovem sincopes aqui para estes lados, daquelas que são benéficas para o coração e verdadeiros bálsamos para a alma, mas que a malfadada carteira rejeita no primeiro embate. Sim, ela fica claramente a pensar no espaço da estante (mas qual, JJ? não vejo algum!) que falta preencher com mais um livro.


No que toca à experiência de escolher a nova peça a morar no meu armário, prefiro tocar no tecido, sentir a sua textura na mão e a forma como cai sob o corpo. Penso que este ritual está enraizado em mim, nas minhas memórias de infância: o meu pai trabalha numa das mais antigas retrosarias da Rua da Conceição, em Lisboa, por isso, toda a minha vida, cresci rodeada de botões, alfinetes, agulhas e dedais. A minha avó Rosa era costureira, a minha avó Tília tinha uma máquina de costura Singer, daquelas que o Fábulas recuperou e transformou em mesas-morada de inesquecíveis banquetes.
 


Bem, a Zara ocupa, talvez, o lugar cimeiro da minha lista de lojas de centros comerciais e é por isso que sempre que os meus olhos se demoram numa nova coleção, é impossível não ficar apaixonada por mais um detalhe, padrão ou cor. Estas são as quatro peças que ocupam a minha wishlist de outubro. QUERIA TODAS, sem exceção, mas penso que algumas vão ter de esperar por uma nova visita. Isto porque a lista de livros aumenta a cada novo dia e a maleita tem, claramente, tendência para piorar.

Bom semana, queridos leitores! E contenham-se, por favor. 

* Todas as imagens foram retiradas do site oficial da Zara.
Sex | 07.10.16

receita de bolo saudável de banana e aveia


O prometido é devido. Hoje partilho convosco uma das receitas que mais prazer me deu magicar na cozinha. O amor imenso que tenho à alimentação saudável cresce vivaz dentro de mim, acompanhando assim a minha vontade de experimentar novas combinações de sabores e de ingredientes. 

A aveia tem sido a minha mais fiel companheira de 2016. Penso que já experimentei todas as formas recambulescas (e deliciosas!) de fazer papas de aveia, ainda que o meu modo de preparação favorito tenha no leite de coco, na maçã, na canela e no agave os seus maiores trunfos. E a verdade é que não há nada como uma tigela desta pequena maravilha para aconchegar o coração nas manhãs de outono, aquelas em que afastamos as cortinas e o vento teima em enamorar-se pelas folhas secas lá fora. Abrimos a janela e recebemos o inebriante cheiro a castanhas, a erva-doce e a abóbora. Sentimos os braços de quem nos ama entrelaçados à nossa cintura e agradecemos os momentos de prazer com os quais a vida nos presenteia; com a agulha do gira-discos a dedilhar um vinil de Françoise Hardy. 

Há umas semanas, numa noite gélida de domingo, decidi inundar a cozinha com o calor do forno e o aroma a banana, um fruto que traz mil e um benefícios para a saúde, ainda que seja necessária alguma cautela no que toca ao seu consumo. Se querem colocar um sorriso no rosto desta irmã do vento, só precisam de caramelizar banana com uns fios de agave biológico e uma pequena porção de granola caseira. Mas, neste caso, decidi esmigalhar duas bananas maduras e combiná-las com um leque de ingredientes saudáveis: a aveia, saciante e rica em fibras, e o amendoim, fontes de proteína e, fértil em vitaminas e minerais, tais como magnésio, ferro e fósforo.

Ingredientes
Dois ovos
Uma chávena de chá de adoçante
Uma chávena de chá de leite de aveia (ou amêndoa, se preferirem)
1/2 chávena de chá de óleo de linhaça bio
Uma chávena de chá de farinha de trigo integral
 Uma chávena de chá de aveia em flocos finos
Uma colher de sopa de fermento em pó
 Uma colher de chá de canela em pó
 Sete amendoins sem sal
Duas bananas maduras esmigalhadas

Decoração
Um iogurte vegan de coco
Uma caixa de framboesas frescas
Tomilho (uma dica preciosa da Sofia, do Às nove no meu blog)

Modo de preparação
Batam os ovos juntamente com o adoçante numa velocidade relativamente elevada; insistam até o volume da massa triplicar. Reduzam a celeridade dos movimentos da batedeira e, acrescentem gradualmente o leite e o óleo. Num recipiente à parte, peneirem a farinha, a aveia, o fermento e a canela. Criem um buraco ao centro e deixem escorrer a mistura que prepararam no início da receita. Envolvam tudo até conseguirem uma mistura consistente, acrescentando as bananas esmagadas e os amendoins. De seguida, untem uma forma com um tamanho à vossa escolha e levem a vossa poção mágica ao forno (médio, a 200ºC), durante cerca de trinta minutos. Acompanhem a transformação do bolo e não se esqueçam de utilizar a técnica do palito. Decorem ao vosso gosto e sirvam-se de uma fatia ainda quente. Que tal prepararem uma chávena de chá ou um Pumpkin Spice Latte caseiro?

Bom fim de semana, queridos leitores. Sejam felizes!