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Às Cavalitas do Vento

Seg | 19.02.18

Páginas Salteadas | Caril de zoodles com tofu fumado, a receita para ter sucesso


Como eu gostava de ter lido o livro Licenciei-me... 'E Agora?', da Catarina Alves de Sousa, quando terminei a minha licenciatura em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na Universidade Nova de Lisboa, há nove anos. Todas as minhas dúvidas e inseguranças acerca do mercado de trabalho ter-se-iam dissipado de uma forma muito mais célere, certamente. 

Corria o ano de 2009 e o Facebook começava a dar os primeiros passos em Portugal; não existiam grupos ao estilo do DDR Job Board, os layouts refrescantes de curriculum vitæ do Canva eram uma miragem, a bibliografia disponível em português estava longe de ter espaço na secção reservada da biblioteca de Hogwarts e, os vídeos de apresentação profissional e de motivação alojados no Youtube pecavam pela falta de genialidade (avé, Ana Marta, a rainha do vídeo!). 

Não obstante, a Comissão de Estágios responsável pelo meu curso, criada por três colegas de turma, possibilitou a minha primeira experiência profissional na secção de Cultura da revista Visão - garanto-vos que foram os melhores três meses da minha vida, pois tive oportunidade de entrevistar ao vivo e por telefone músicos, escritores, atores, realizadores e, performers nacionais e internacionais. Conversei com a Colbie Cailat (a propósito do concerto no Marés Vivas 2009), o Mia Couto, o David Fonseca, o Joaquim de Almeida e estive a uma nesga de estar frente à frente com a Florence Welch, no ano em que se estreou com o single Kiss With a Fist. Sim, foi o meu dream job poder escrever sobre literatura, cinema, música e artes performativas. Na verdade esta experiência enriquecedora fez com que, anos mais tarde, fizesse uma pós-graduação em Jornalismo Cultural.

Felizmente nunca tive dificuldade em encontrar trabalho na minha área. Depois de uma especialização em Rádio, leccionada pelo Cenjor, fiz um segundo estágio curricular na Rádio Renascença. Quando o meu vínculo com o Grupo R/Com findou, procurei afincadamente propostas de emprego em sites como o Carga de Trabalhos, Net-Emprego ou o Sapo Emprego; fui a várias entrevistas, sendo sempre submetida a uma miríade de testes de competências. Em 2010 tive o privilégio de integrar a equipa da revista O Mundo da Fotografia, publicação na qual trabalhei durante seis anos como editora, produtora de conteúdos multimédia, redatora principal, fotógrafa, tradutora e gestora de redes sociais.


Em 2016 abdiquei do jornalismo e abracei a outra faceta da comunicação, aquela que sempre me intimidou e que fazia o meu corpo estremecer: o marketing e a publicidade. Como é que este salto se deu? Posso assegurar-vos que ajudou bastante ter uma pegada online, tal como a Catarina sublinha na página 72 do livro. No meu caso, as agências de comunicação por onde passei analisaram os vários artigos publicados em revistas online (Gerador, Epicur e Insomnia), a galeria de imagens do Instagram, o CV atualizado no Linkedin e um blog com temáticas contemporâneas. A minha marca pessoal e digital tornou-se o meu cartão de visita - e acredito que também possa ser o vosso se se mantiverem na crista da onda, sempre fieis aos vossos interesses e motivações.

Mas preparem-se, recém-licenciados! A rotina vira-se do avesso e pede-nos organização, para podermos distribuir o nosso tempo por todas as atividades do nosso dia a dia. Saltar refeições é estritamente proibido e, por essa razão, existem alternativas de preparação mais simples, que vos ocuparão apenas durante vinte minutos. Vai uma dica deliciosa e saudável para começarem já a colocar em prática e caminharem rumo ao sucesso?


Caril de zoodles com tofu fumado
[serve 2 pessoas]


Ingredientes
3 courgettes
125 gramas de tofu fumado
Cogumelos shitake biológicos
Molho de nata para vegetais Mimosa
1 colher de sopa de caril
Óleo de coco
Óleo de sementes de sésamo prensado a frio
Pimenta preta moída
2 dentes de alho
Sementes de funcho orgânicas Urtekram
Sementes de sésamo e de girassol q.b.
Gengibre
Sal
Orégãos frescos

Ao jeitinho do Ninho do Vento
Comecem por descascar as três courgettes que utilizarão na vossa receita; o passo seguinte passa por transformarem os legumes numa espécie de esparguete saudável, graças a um espirulizador ou a um ralador elétrico. Reservem os zoodles e deixem a água escorrer durante uns minutos. Chegou o momento de saltear o tofu fumado e os cogumelos orgânicos, numa fusão de óleos de coco e de sementes de sésamo, dois dentes de alho, gengibre, sal e pimenta preta moída no momento. Numa tigela à parte misturem as natas para vegetais e uma colher de sopa de caril. De seguida adicionem o molho obtido ao wok, juntamente com os zoodles, as sementes de funcho, de sésamo e de girassol. Deixem cozinhar até a vossa receita adquirir uma tonalidade dourada. Apaguem o lume e empratem a vossa refeição com o mesmo carinho com a qual a preparam. No final confiram-lhe um toque italiano, temperando-a com um raminho de óregãos frescos. Rápido e prático para incluírem na vossa rotina, certo? Não se esqueçam de acompanhar com uma bebida do bem ou, quem sabe, com um copo de vinho.

Acompanhem as receitas das bloggers do projeto Páginas Salteadas:
Catarina Sousa, Joan of July
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog
Qui | 15.02.18

rotas maríticas e terrestres na mesa do Ânfora, no NAU Palácio do Governador


Visualizem este quadro romântico e cinematográfico: a luz das velas, o som melodramático e embriagante das cordas de um violino, o eco embalador das ondas do rio Tejo, uma refrescante, ainda que colorosa, flûte de espumante, um serviço de mesa atencioso, discreto e irrepreensível, e pratos de autor requintados, minuciosamente pensados em cada pormenor da decoração e extremamente bem confecionados. Pura poesia para os ouvidos e para as memórias que guardo numa gaveta especial do coração - e que agora decidi abrir para poder partilhar convosco, colmatando assim qualquer lonjura e trazendo-vos um pouco da inesquecível cena de dança de Nicholas Cage e Tea Leoni, num restaurante de cinco estrelas, no filme The Family Man.


Foi desta forma que fomos recebidos no Dia de São Valentim e que nos apaixonámos pela inebriante carta contemporânea do restaurante Ânfora, no Hotel Palácio do Governador, criada pela talentosa chef Vera Silva. Se precisarem de uma rosa dos ventos para chegarem ao destino, basta que sigam o cântico do rio que abraça a Princesa do Tejo, a nossa Lisboa, e, claro, que atraquem no moderno convés do NAU Hotels & Resorts, em frente à Torre de Belém. Ah, e o estacionamento? Simples, prático, rápido e sem grandes voltas.

Provavelmente não conseguirão provar todos os pratos que vos descreverei de seguida, uma vez que se tratou de um evento temático, com um menu personalizado para Ela (uma rota marítima) e para Ele (um safari na selva). Todavia quero abrir-vos o apetite e convidar-vos a deliciarem-se com as iguarias deste espaço. 


A nossa experiência gastronómica foi pincelada pela quietude e pelo aconchego. Todas as escolhas da noite, gourmet como dita a regra de um restaurante de hotel de luxo, apelavam ao palato, ao olfato e à visão, o que nos proporcionou uma experiência sensasorial verdadeiramente inesquecível. Para entradas? Foie e camarão de Espinho para ambos, um deleite para o olhar e para a barriga. Para prato principal? Duas opções em cada cardápio: vieira num creme de bivalves e arejado de coentros, e pregado com decádopes envoltos em cuscos transmontanos, num registo de travessia pelo Atlântico com canções de sereia, claramente mais femininas e sublimes. E, mais vigorosas e bravias, cordoniz em Terrina numa sinfonia de pickles e veado numa duxelle de repolgas selvagens e bijus.


Para rematar esta sublime refeição, não poderia faltar o toque exótico e tropical de Venús de Milo de um merenge, caviar de goiaba, mousse e algas, e o tango aveludado de um chocolate que casa na perfeição com um pomar de citrinos.


Ânfora
NAU Palácio do Governador Hotel, Rua Bartolomeu Dias, 117, Belém, Lisboa
Preço médio: 50 € para duas pessoas
Aberto das 07:30 às 10:30, das 12:30 às 15:00 e das 19:30 às 23:00
Telefone: 308 805 827
Facebook // Instagram // Zomato
Qua | 07.02.18

The Body Shop | Florescer com a Eau de Toilette Japanese Cherry Blossom Strawberry Kiss


A marca cruelty free The Body Shop, que eu já não dispenso nos meus rituais de beleza, leu os meus pensamentos e preparou um dos grandes lançamentos da indústria de cosméticos de fevereiro: a Eau de Toilette Japonese Cherry Blossom Strawberry Kiss. Os astros parecem estar alinhados no calendário chinês. "Viciantemente doce", assim é o aroma deste perfume, que combina o cheiro de flores de cerejeira japonesas com notas refrescantes de morango, peônia rosa e âmbar. O melhor desta embalagem-tesouro? É 100% vegan, brisas!

Quando apliquei a fragrância, pela primeira vez, no pescoço, atrás das orelhas e nos pulsos, imediatamente após o banho, a mais bela citação do clássico da Disney Mulan visitou os meus pensamentos. "A flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e bela de todas", cinzelou no calendário da existência o Imperador da China. Rebelde, corajosa e delicada, a guerreira chinesa Mulan ensinou-me, em plenos anos 90, que uma mulher pode desafiar todas as tradições milenares da sociedade e enfrentar sozinha a invasão dos Hunos - mesmo havendo um líder tão implacável como Shan-Yiu.

Mas não há superação que não se entrelace ao ímpeto do amor-tufão e por isso a filha de Fa Zhou - que finge ser um homem para ocupar o lugar do pai no Exército Imperial - luta ao lado do Capitão Shang, "com a rapidez de um rio em fuga" e "o poder de um fogo imenso".


Quando conheci o Gonçalo, em agosto de 2016, confidenciei-lhe que aninhava no coração a cultura oriental e que um dos meus maiores sonhos era conhecer o continente asiático. A minha melhor amiga, desde os meus dez anos, é macaense, o Mushu o meu fiel companheiro de eleição das princesas Disney, e a Reflection, tocada ao violino por Vanessa Mae, uma das melodias da minha vida. Quando ele pediu à inspiradora Inês Henriques, do projeto Bandido Jewelry, para desenhar o meu anel de noivado, fez um pedido especial: pousar uma andorinha em galhos de flores de cerejeira, dois presságios da primavera, a estação que me viu nascer.

Com uma carga mística inerente, as delicadas pétalas rosa pálido desta árvore-anciã japonesa revelam um simbolismo magnetizante e um dos mais inesquecíveis espetáculos da natureza. Amor, beleza, inocência, pureza, renovação, juventude, esperança e renascimento são alguns dos significados atribuídos às flores de cerejeira, que têm inspirado também a arte, a moda, a música e a pintura em todo o mundo. Já o fruto, a cereja, insurge-se como o maior símbolo de sensualidade e erotismo, em grande medida graças à intensidade da sua cor escarlate.

A lenda sussurra-nos que a princesa Konohana Sakuya Hime caiu do céu e criou raízes no Monte Fuji, onde se transformou na mais bela das flores. Outras crenças populares cinzelam no tempo que a cerejeira está intimamente ligada à cultura do arroz, uma vez que "kura" (na sua raiz nipónica) pode ser traduzida por "depósito para guardar arroz"; sendo este ingrediente uma das bases da cozinha japonesa, pode então ser interpretado como uma "dádiva" do universo.


Por outro lado, a efemeridade da floração das cerejeiras conduz-nos até aos samurais, os guerreiros orientais que pareciam sempre dispostos a morrer no campo de batalha, horando assim os seus mestres e antepassados. Passageira, frágil e fugaz, mas inolvidável, tal como a nossa própria passagem pela Terra, esta árvore mística vem relembrar-nos que devemos aproveitar o presente em toda a sua plenitude e aceitar os presentes que as esquinas do tempo nos oferecem.

Desde que comecei a frequentar os workshops de Herbalismo Mágico e Medicinal, orientados pela fada Isa Baptista, no Pub Medieval Casa do Fauno, que tenho criado um herbário para as quatro estações do ano. Durante os meus estudos de ervas medicinais da floresta descobri que a flor de cerejeira faz-se valer de uma miríade de benefícios para o tratamento de determinadas doenças do organismo, sobretudo devido às propriedades diuréticas que encerra em si mesma aquando da sua infusão. Sabiam que os japoneses servem chá de flores de cerejeira nos seus casamentos? Já juntámos esta sugestão à nossa lista de momentos mágicos no dia do Ritual do Vento.


Na religião budista, esta flor veste-se de elementos associados ao renascimento da primavera e à entrada de um novo ciclo de vida. Fevereiro, vamos caminhar de mãos dadas para a felicidade, sem olhar para trás?

Se ainda não sabem o que pedir como presente de Dia de São Valentim à vossa cara-metade, esta parece-me a escolha perfeita para deleitar os sentidos. Viva o amor!

*Este artigo foi escrito em parceira com a The Body Shop, mas a minha partilha é real e transparente.
As fotografias são da autoria da minha querida fotógrafa Nia Carvalho.