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Às Cavalitas do Vento

Seg | 15.04.19

Páginas Salteadas | Uma viagem exótica e rústica com bolo-inglês de maçã e especiarias

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“Sometimes since I've been in the garden I've looked up through the trees at the sky and I have had a strange feeling of being happy as if something was pushing and drawing in my chest and making me breathe fast. Magic is always pushing and drawing and making things out of nothing. Everything is made out of magic, leaves and trees, flowers and birds, badgers and foxes and squirrels and people. So it must be all around us. In this garden - in all the places.”

― Frances Hodgson Burnett, em The Secret Garden

Ao som de Greensleeves, confecionei aquele que é, até ao presente, o meu melhor bolo primaveril (modéstia à parte!). Tenho para mim que o feito se deve não só ao facto de O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, ser um dos livros e filmes que pincelou a minha infância de tardes à beira de um lago de encantos, mas também porque, desde que regressei de Madrid, que ando, solta pelo vento, envolvida no enredo da obra de estreia de Holly Ringland, As Flores Perdidas de Alice Hart (editada, em Portugal, pela Porto Editora). 

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Neta de uma das flores mais ancestrais e selvagens do mundo, a Rosa, e de uma erva medicinal, sagrada e com poderes mágicos para os guerreiros, a Tília, gosto de acreditar que cresco por dentro e floresço como um jasmim moreno, num inquietante repouso e fado latino. Lavro um jardim nos campos alentejanos, numa terra fértil que gira em contramão, e sigo o feixe de luz que guia os passos do meu destino. 

Em 2013, comecei a colecionar edições de O Jardim Secreto, depois de ter adquirido a versão editada pela britânica Walker Books, no Book Depository, com as harmoniosas ilustrações da autora anglo-australiana Inga Moore. Nesse mesmo ano, trouxe comigo, da Feira do Livro de Lisboa, um tomo da Relógio D'Água, e rumei à Rua dos Pescadores do Carvoeiro, no Algarve, para comprar uma cópia em segunda mão deste livro infantil, no labirinto da Algarve Book Cellar, de Raymond Compton. Um ano depois, investi num volume comemorativo do 100º aniversário da obra, lançado pela Barnes & Noble, que encontrei numa visita à Bertrand do Centro Comercial Vasco da Gama.

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Os detalhes mais preciosos e cândidos da natureza estão espelhados na obra mais conceituada da escritora e dramaturga britânica - também ela conhecida pela autoria das narrativas de A Princesinha (outro dos filmes mais especiais da minha vida, realizado por Alfonso Cuarón) e O Pequeno Lorde. Mary Lennox, a personagem feminina e central de O Jardim Secreto, descendente da aristocracia inglesa, cresceu na Índia, rodeada de luxos e de criados, mas sem quaisquer demonstrações de afeto por parte dos pais. Quando fica órfã e é deportada para Inglaterra, fica sob a guarda do misterioso tio Archibald Craven e da austera governanta da mansão, Mrs. Medlock, no condado de Yorkshire. 

Arisca, perspineta e arrogante, Mary não para sossegada um só momento e, por isso, aventura-se nas divisões da casa, sempre que se vê sozinha, para descobrir todos os segredos encerrados dentro de quatro paredes. E é precisamente numa dessas suas odisseias que a indesejada e solitária criança descobre a chave para o jardim da falecida tia, irmã gémea da sua mãe, numa caixa de música. Fechado há mais de dez anos, o terreno volta a vestir-se das cores e espécies mais belas e exóticas, graças à amizade entre os primos Mary e Collins, e Dickon Sowerby, o rapaz do campo, que ganha raízes a cada nova estação do ano. 

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O Jardim Secreto é um conto que nos ensina a ter esperança e amor de flor, a renascer a partir dos vínculos que nos ligam à terra solta e a homenagear a vida vestida de pormenores singelos e alimentada em tom maior. Só precisamos de semear e colher felicidade e estrelas-guia. E cantar, vestindo a saia rodada,"pedrinhas que houver eu hei-de tirar e todas as ervas daninhas à volta. e o que vier virá lembrar o que a vida prende, a saudade solta" (como a fadista Mariza).


Bolo-inglês de maçã e especiarias exóticas

[inspirado no livro "O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett]


Ingredientes

Canela q.b.
Noz-moscada q.b.
Rum q.b.[Butocal]
50 gramas de sultanas
1 iogurte de mirtilo [Siggi's]
400 gramas de maçã Granny Smith
1 colher de sopa de fermento em pó
25 gramas de gordura de coco [Aldi]
50 gramas de açúcar de coco [Iswari]
250 gramas de farinha de aveia integral
1 colher de chá de flor de sal [Lidl Deluxe]
50 gramas de miolo de amêndoa em farinha
5 colheres de sopa de mel multifloral [Joaninho]
5 ovos de galinhas criadas ao ar livre [Matinados]
5 colheres de sopa de azeite virgem extra [Fadista]
1 saqueta de chá Indian Chai exótico e picante biológico [Santiveri]
1 colher de sopa de vinho do Porto [colheita Douro da família Clara]
2 colheres de chá de infusão de erva cidreira biológico [Ervas da Zoé]

Crumble de amêndoa e avelã
¼ chávena de amêndoa moída
30 gramas de farinha de avelã [Diese]
3 colheres de sopa de açúcar de coco [Iswari]
3 colheres de sopa de óleo de coco biológico [Origens]

Ao jeitinho do Ninho do Vento

Pré-aqueçam o vosso forno a 180° C. Amoleçam a gordura de coco em lume brando e, finalizado este processo, adicionem o líquido a um tigela, envolvendo-o em azeite e mel. Posteriormente, juntem os ovos, a canela, a noz-moscada e a saqueta de chá Indian Chai biológico (chá preto, cardamomo, canela, gengibre, laranja e cravo-da-índia), batendo o preparado com vigor. Agora, misturem o miolo de amêndoa, o vinho do Porto e o rum. À parte, cortem duas maçãs verdes, mais ácidas, em cubos e acrescentem metade à combinação de ingredientes anteriores. Acrescentem as sultanas, a farinha de aveia integral, o fermento e o iogurte. Numa outra taça, juntem a farinha de avelã, a amêndoa moída e o óleo de coco. Envolvam os ingredientes com as mãos, de forma a obterem uma mistura uniforme, sem elementos soltos. O ideal é conseguirem uma textura que se assemelhe a pequenas migalhas. Por fim, adicionem o açúcar de coco. Untem uma forma de bolo-inglês em silicone com gordura de coco e polvilhem-na com farinha de amêndoa. Cubram o fundo com açúcar de coco antes de verterem o vosso líquido mágico. Disponham por cima a maçã reservada, partida em pequenas meias-luas, e polvilhem o vosso bolo com esta cobertura de crumble de amêndoa e avelã. De seguida, levem ao forno durante cerca de 40 minutos (atenção, que varia sempre um pouco). Enquanto aguardam a cozedura, escolham a vossa loiça mais vitoriana e levem água ao lume, para preparem um chá de Rooibos Ruibardo & Rosa, da Folha D'Água.

Acompanhem as receitas das bloggers do projeto Páginas Salteadas:
Vânia Duarte, Lolly Taste
Catarina Sousa, Joan of July
Andreia Moita, Andreia Moita Blog