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Às Cavalitas do Vento

Seg | 20.08.18

Páginas Salteadas | Muffins cativantes de morango, banana e amizade

paginas_salteadas_agosto_principezinho_muffins_morHá precisamente um ano a nossa imaginação extrapolou os livros de culinária e viajou pelos capítulos da ficção, do empreendorismo, do lifestyle, do amor-próprio e das autobiografias. Desde julho de 2017 que eu, a Vânia Duarte, a Catarina Sousa e a Andreia Moita trazemos inebriantes receitas, todas as segundas-feiras, para os nossos blogues; e, em jeito de celebração do primeiro aniversário do projeto Páginas Salteadas, decidimos organizar um lanche solidário de angariação de fundos para a CASA e de livros usados para a Boutique da Cultura, em Carnide, no qual estiveram presentes os nossos companheiros (os de casa e de vida), a minha sister gypsy Margarida Pestana e a inspiradora dupla do Armazém de Ideias Ilimitada. Foi com as nossas melhores criações gastronómicas que nos juntámos ao redor da mesa da luminosa Academia da nossa querida Sofia Castro Fernando, do Às 9 no meu Blog, e fomos intensamente felizes, num fim de semana encoberto, que deixou espreitar os primeiros raios de sol de um verão tardio. 


Foi também neste encontro de amigos que lançámos um desafio: pedimos aos nossos convidados que nos ajudassem a escolher o nosso livro de inspiração para agosto. A Rosarinho e a Susana fizeram-nos então chegar alguns títulos já discutidos no seu Clube Literário e a nossa seleção não poderia ter sido mais perfeita: O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, um dos clássicos indispensáveis da literatura para todas as idades e, como já devem suspeitar, uma das obras da minha vida. A minha mãe ofereceu-me o meu primeiro exemplar quando tinha apenas seis anos - o que me leva a crer que, de acordo com a manta de retalhos que as minhas memórias mais antigas me permitem alcançar, foi a minha primeira análise literária repleta de "porquês". Recordo-me de ficar com arrepios sempre que os meus olhos se demoravam na ilustração da jibóia a digerir um elefante, um dos animais mais sagrados do mundo, e de perguntar à minha família, porque é que uma raposa haveria de dizer que o amor só acontecia a quem fosse verdadeiramente cativado. Intrigante e curioso para uma rapariga pespineta e contestatária, right? [Oiçam a Regina Spektor em Baobabs].

 

A verdade é que, desde tenra idade, ouço dizer que tenho uma varinha de condão aos olhos das crianças e que podia perfeitamente encarnar a Fada Azul, que transforma o boneco de madeira Pinóquio num menino de verdade, ou as personagens que orbitam à volta do próprio Principezinho, criando laços eternos e indizíveis. Será por ter nascido no Dia da Criança? Ou por ter vinte primos mais novos do que eu? Não encontro uma explicação precisa, mas a verdade é que, onde quer que vá, as crianças sorriem-me (e eu sorrio com elas). Em 2016 passei três dias na Régua e conheci o Raoul, o meu primo em terceiro grau com raízes suíças, portuguesas e uruguaias, e o Gustavo, um Huckleberry Finn que trocou o Mississipi pelo Douro. Neste meu regresso às minhas raízes Clara consegui que estes dois miúdos, agora com nove anos, colocassem todos os aparelhos eletrónicos de lado. Brincámos com o Speedy, o cão da quinta, jogámos às adivinhas, rodopiámos na piscina, contemplámos as estrelas no céu. Eu contei-lhes a minha lenda da constelação Cassiopeia (magicada no momento, é certo), li-lhes excertos de O Principezinho, ensinei-lhes o significado da palavra "cativar" e expliquei-lhes como a natureza pode ser a nossa melhor amiga. Em troca? Os abraços bastaram-me, porque o que torna o mundo tão maravilhoso são os detalhes simples e ternurentos da vida, tal como O Principezinho me ensinou um dia.

 

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«- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.

O essencial é invisível para os olhos…

- O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti.
Tu és responsável pela tua rosa…

- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.»

 

Muffins cativantes de morango, banana e amizade
Canela a gosto
Uma pitada de sal
3 ovos batidos (Matinados)
1 colher de chá de fermento em pó
175 gramas de açúcar de coco (Biona)
2 iogurtes biológicos naturais (Gutbio)
100 gramas de manteiga sem sal derretida
1 banana grande, descascada e cortada em cubos
350 gramas de farinha integral de espelta (Gutbio)
150 gramas de morangos biológicos cortados em fatias


Ao jeitinho do Ninho do Vento
Enquanto preparam a massa dos vossos muffins de morango e banana, devem pré-aqueçam o forno a 190ºC. Em primeiro lugar, derretam a manteiga sem sal num tacho, em lume brando. Numa taça à parte, batam o açúcar de coco, os iogurtes e os ovos. Assim que a manteiga estiver pronta, podem adicioná-la aos restantes ingredientes, envolvendo-os suavemente. Numa outra tigela peneirem a farinha integral de espelta, o fermento e o sal. De seguida, fundam os elementos secos e líquidos num só, mexendo cuidadosamente. Por fim, adicionem a banana congelada cortada aos cubos e uma chávena e meia de morangos cortados em fatias. Nesta fase, não devem bater demasiado, uma vez que a massa acaba por adquirir uma textura mais granulosa por causa da adição da fruta fresca. Vertam a massa para 12 formas de silicone coloridas, dispostas sobre o tabuleiro que levarão ao forno. Para o efeito, serão necessários cerca de 20 minutos. Verifiquem se está bem cozida, espetando, como manda a tradição, o palito ao centro. Retirem os muffins quando estes estiverem douradinhos. Para rematar com um apontamento mágico, acompanhem com uma chávena de chá frutado, tal como os dias soalheiros de verão pedem.


Acompanhem as receitas das bloggers do projeto Páginas Salteadas:
Catarina Sousa, Joan of July
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog